Jean-Yves Ferri e Didier Conrad: entrevista cruzada

Jean-Yves Ferri e Didier Conrad: entrevista cruzada 2017-10-10T15:10:58+02:00

Falem-nos da génese deste novo álbum.

J-Y.F : Comparativamente aos dois primeiros álbuns que concebemos em parceria (Astérix entre os Pictos, 2013 / O Papiro de César, 2015), o nosso método de trabalho tornou-se mais apurado. Na altura, eu só conhecia a obra do Didier. Foi Astérix que nos reuniu! É preciso que se saiba que moramos a mais de 8000 km um do outro e que as nossas trocas de ideias se fazem maioritariamente por email, por telefone ou por Skype! No início não sabíamos se isso iria resultar, mas acabámos por nos adaptar e hoje o trabalho em equipa tornou-se muito mais fácil.

D.C : Sabíamos que para esta nova aventura era preciso encontrar um destino para lá das fronteiras gaulesas, e a Itália, proposta por Jean-Yves, rapidamente se transformou para nós na opção óbvia. É a primeira etapa. Depois, é preciso encontrar uma boa história. Jean-Yves é um argumentista talentoso e precisou de pouco tempo para encontrar a ideia da travessia de Itália sob a forma de uma corrida por etapas. Uma vez aceite a sinopse por Albert Uderzo, Anne Goscinny e Les Éditions Albert René, só me resta esperar pelo storyboard do Jean-Yves. É então que o meu trabalho começa: longas noites em claro a desenhar personagens bem conhecidas no mundo inteiro. Mentiria se não dissesse que isso é esgotante e muito stressante; não queremos dececionar nem os leitores nem Albert. Por isso, errar está fora de questão!

Precisamente a esse propósito, como descreveriam a vossa colaboração com Albert Uderzo?

J-Y.F : A nossa colaboração tornou-se muito fluida à medida que os álbuns se sucederam. Quando lhe mostrámos as primeiras páginas do nosso primeiro álbum, ele fez-nos várias observações, tanto sobre a história como sobre o desenho. Para este novo álbum, ele pôs literalmente os pontos nos “i”, já que na capa faltava nada mais nada menos do que um ponto no “i” da palavra “Transitálica!” Para além disso, deu-nos sempre o seu apoio para este projeto: as suas intervenções são mais no sentido de nos encorajar do que de nos criticar.

D.C : De facto, ao fim de 3 álbuns, podemos considerar que começamos a apropriar-nos tanto do estilo de René Goscinny como do traço, reconhecível por todos, de Albert Uderzo. São dois mestres absolutos. Retomar as suas aventuras é para nós um imenso orgulho.

Encontraram alguma dificuldade especial durante a realização do álbum?

J-Y.F : O principal constrangimento é o tempo! Dois anos para conceber um álbum do Astérix é pouco. No início, achamos que não vamos conseguir. A dificuldade está em conseguir incorporar o universo de Albert e de René, tão rico e tão prolífero, numa história que não pode ultrapassar as 44 pranchas. O caderno de especificações é exatamente este mas, no final, esse exercício acaba por se revelar extremamente estimulante.

D.C : Creio que tenho uma vantagem em relação a muitos dos meus camaradas. Tal como Albert, adoro desenhar cavalos, pese embora a grande dificuldade dessa tarefa. E para este 37.º álbum tive oportunidade de satisfazer esse meu gosto. Da mesma forma, quis neste álbum dar grande atenção aos pormenores. Cada prancha exigiu-me cerca de 30 horas de trabalho, contra 20 nas duas aventuras anteriores.

J-Y.F : Tenho a certeza de que os leitores vão ficar impressionados com os teus desenhos!

D.C : E que se vão divertir muito com os teus gags!